quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Economia sem economês

Blog a todo vapor com suas válvulas voltando ao trabalho; voltemos também ao nosso. Pra começar o novo ano, vou tentar desmistificar alguns aspectos básicos da economia, que muitas vezes é olhada de soslaio pelos jovens.

Primeiramente, a economia sempre esteve presente na humanidade, muito antes de se tornar matéria de estudo. Sua principal função é servir o homem, de modo a acelerar o seu desenvolvimento; é, logo, um meio para nosso bem-estar, e nunca deve fugir a essa prerrogativa.

A vida do homem é indissociável de duas esferas: a natureza humana e a natureza biológica. A economia ora se permuta nas fronteiras, ora está inclusa em uma ou nas duas esferas. A partir do momento em que a economia passa a englobar esses dois conjuntos, há um desequilíbrio e as coisas começam a ficar insustentáveis. Mas falemos mais da economia em si.

Como todas as ciências, ela deve ser analisada de acordo com as circunstâncias. Por exemplo: ao se jogar um elefante do alto de uma torre, a resistência do ar é desprezível; logo, pra se calcular o tempo de queda, o ar não existe. Mas se jogarmos uma pena, veremos que o atrito com o ar é muito presente, não podendo ser ignorado. Assim também é na economia: sempre há um fator que se projeta mais que os demais. Essa filosofia é fundamental pra análise de toda movimentação financeira.

Agora, vamos nos familiarizar com alguns termos da economia.

  • Inflação: a inflação, como todos nós sabemos, é o aumento generalizado dos preços dos produtos ao consumidor. Mas é importante ressaltarmos suas principais causas. Uma das mais comuns, principalmente nos países pobres dependentes da tecnologia estrangeira, é a inflação causada pela desvalorização da moeda local. Já que muitos produtos desses países são importados, quando a moeda local se desvaloriza, a moeda do país que vendeu esse produto é valorizada, tornando essa mercadoria mais cara. Essa desvalorização tem suas causas também, mas outra hora cabe explicar. Outra causa pra alta dos preços é o aumento exagerado do consumo ou a bruta desaceleração da produção. Quando isso ocorre, a procura pelos produtos aumenta muito, ou a oferta diminui. Aumentando-se a procura ou diminuindo-se a oferta, sobem os preços. Para balancear esses pesos, utiliza-se principalmente a variação na taxa de juros.

  • Juros:Determinados pelo Banco Central do país, os juros são, entre outras coisas, a taxa de cobrança do Estado aos bancos que tomam emprestado do Estado para repassar à população. Os juros são a principal arma para se controlar a inflação. Leiam devagar e procurem entender todo o raciocínio. Ao se elevar a taxa de juros, os bancos têm mais dificuldades de pedir emprestado ao Estado; logo, a população não tem fácil acesso ao empréstimo (crédito), o que diminui a quantidade bruta de dinheiro em circulação. Com a diminuição da quantidade de moeda (que é uma mercadora como qualquer outra), ela tende a valer mais (menos oferta, maior o valor), e, com isso, os preços dos produtos tendem a cair. Vale ressaltar que, nesse caso, a inflação cedeu sobre uma diminuição no consumo, o que, de certa forma, atrasa um desenvolvimento a curto prazo. No caminho inverso, caso a inflação esteja sob controle e se deseje incentivar o consumo, os juros são abaixados para aumentar a circulação de dinheiro, proporcionando mais investimentos etc etc.

  • Especulação:No mundo capitalista, a especulação financeira é, basicamente, o ato de injetar capital numa determinada instituição ou empresa, esperando que esse dinheiro possa render nas ações dessa empresa. Com a explosão da crise econômica, os olhares todos se voltaram à especulação, que se tornou a principal culpada por todo esse desmoronamento. Vamos ligar as pontas dos fios. Desde a segunda metade da década de 90, o setor imobiliário dos EUA era o ramo da economia que mais crescia, estava em franca ascensão, por causa da política de equilíbrio das contas internas buscada por Clinton, utilizando baixos juros. Então, muitas empresas resolveram investir (especular) nesse setor, já que seu rendimento era considerado certo e infinito. Com isso, as empresas que receberam essa injeção de capitais dos fundos de pensão ("bancos" de grandes empresas com fundos para especulação), começaram a se animar com tanto dinheiro que recebiam. Aí é que as coisas começaram a desandar. Esse monte de dinheiro também trazia algumas responsabilidades aos devedores. Por exemplo, os credores exigiam lucros altíssimos, para que o dinheiro investido rendesse bem. Assim, os devedores abaixaram excessivamente os juros de compra/aluguel de residências e diminuíram a fiscalização, facilitando o acesso a esse financiamento. Os consumidores, percebendo isso, tiveram a idéia de usar esse fácil crédito para outras finalidades, como pagar dívidas, fazer compras etc, etc. Depois de um tempo nesse mar de flores, surgiu a inadimplência no setor imobiliário. Junto a ela, os capitais especulativos que tão rápido chegaram, igualmente rápido saíram, desvalorizados, deixando as imobiliárias a ver navios. Havia sido feito todo um planejamento com o dinheiro que estava chegando ininterruptamente, e, de repente, esse dinheiro foi embora. Tá aí o problema que a gente enfrenta. É absurda a quantidade de empresas que se dedicaram à especulação imobiliária. Até mesmo bancos comerciais, montadoras de veículos e empresas do meio cinematográfico se envolveram com isso. Atualmente, discutem-se meios para controlar a especulação, mas noutro post eu comento sobre isso. Vale ressaltar que as imobiliárias se tornaram refém do capital. Esse fenômeno é comum com a "nova economia", a economia informatizada. Muitas vezes, empresas providenciam demissões em massa para satisfazer os investidores, que precisam que a empresa reduza seus custos para que os lucros aumentem. Por isso, a questão da especulação deve ser vista com muita cautela, e requer, acima de tudo, soluções efetivas para que não fiquemos à mercê de investidores.

Enfim, a economia tem muito mais detalhes, muito mais termos, sem falar nos conflitos ideológicos que não cabem aqui. Mas sabendo dessas coisas que citei, já dá pra entender um bocado do que se vê nos noticiários.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Leitura Cidadã

[Com um pedido de desculpas enorme pelo tempo que ficamos sem postar, aí vai mais um texto interessante.]

"A leitura é essencial para a construção de uma sociedade mais igualitária, na qual as diferenças sejam respeitadas. Para se ter idéia, às vésperas da Revolução Francesa de 1789, a produção literária cumpria papel fundamental. As páginas dos livros constituíam-se em verdadeiros campos de batalha, com inúmeras propostas para transformar uma sociedade marcada por desigualdades e privilégios. [...] Ler, assim, é muito mais do que diversão, é a possibilidade de construir um mundo melhor.
O Brasil, no entanto, ainda não pode ser chamado de um país de leitores: muitas de nossas cidades nem sequer possuem biblioteca ou livraria. Apesar disso, em todos os segmentos da sociedade, existe uma intensa e criativa produção literária. É o caso da literatura de cordel, que faz sucesso sobretudo no Nordeste e em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro."


(“Por dentro da História” - Pedro Santiago, vol. Único, editora educacional, pg.396)


Em meio a uma sociedade que exige cada vez mais informação e posicionamento crítico em relação aos acontecimentos, a leitura de livros, revistas e jornais torna-se indispensável. No entanto, o alto custo dos impressos, no Brasil, acaba criando uma elite intelectual, excluindo grande parcela da população de uma cidadania efetiva.

Sobre esse assunto, algumas sugestões de debates são:

* Como resolver essa questão?
* Será que a simples baixa de preços popularizaria a leitura?
* De que forma a “criativa produção literária” brasileira pode ser mais valorizada?

* Como vocês vêem a leitura no cotidiano?



sábado, 2 de fevereiro de 2008

Sonhos são metas. (Um desabafo)

A vida é injusta. Isto é certo. Os que tentam mudar são massacrados, excluidos, direcionados a perder. Mas a luta de algumas destas pessoas fez com que a sociedade se tornasse, de maneira gradativa, um pouco melhor. Se eu e você somos uns dos que sonham em transformar o mundo, somos apenas utópicos. Não é preciso sonhar. Aquilo que nos faz melhor é a força e a luta.

No dia em que nos recusarmos a manter o mesmo sistema consumista que aprisiona a image e a forma de ser humano, estaremos provocando uma fúria dos poderosos regentes da nação mundial. Sofreremos, seremos vistos como revolucionários infantis, fatigados, fadados a morrer sufocados por nossos sonhos e pelas algemas dos poderosos. Como se livrar desta prisão? O que fazer para ultrapassar as metas que nos regulam? E como conquistar mais participantes para nossas lutas?

Força. Haverá uma hora em que desistiremos, seremos chamados de tolos e hipócritas por nós mesmos. É neste momento que é preciso ser racional: pensar por que nossas metas são importantes, quais seriam os benefícios que elas iriam trazer para a população se fossem praticadas. Veremos, amigos, que vale a pena lutar. E quando os nossos opositores perceberem que são mais felizes, que o mundo está com menos crimes, que os avanços tecnológicos contribuem cada vez mais para a qualidade de vida, irão ter noção do quanto estavamos certos em pregar a mudança.

Não se deixe abater por uma derrota, uma palavra contrária, ou um simples "não". Olhe os que passam fome, os que não tem um teto e os comparem aos políticos eleitos. Quais são as diferenças entre eles? Ao responder suas próprias perguntas, perceba que não adianta ser um simples sonhador, mova-se. Ninguém vai fazer alguma coisa por você. Transforme suas idéias em ações. A vida é injusta. Isto é certo. Mas ninguém disse que não é possível mudar.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Momento fora do país... [2]

Nos últimos meses, estão em alta na mídia dicussões sobre a crise financeira norte-americana que terminou por afetar as bolsas de valores de todo o mundo. Oscilações em tais instituições, bem como na moeda americana (o dólar), são acompanhadas com receio. E o desaquecimento econômico da nação de maior PIB do mundo torna-se tão evidente quanto o medo que tal fato causa a diversos países.
A repercussão da crise sobre o Brasil ainda divide os economistas. Uns apontam o país como desprotegido externamente, graças a sua dependência do crédito e incapacidade de levar adiante um desenvolvimento "auto-sustentável". Outros alegam que o acúmulo de reservas cambiais (quantidade de dólares que um país tem, a fim de ter como saldar compromissos no exterior) e a inflação controlada diminuiriam os efeitos negativos. Assim também, dependendo do ponto de vista, a baixa do dólar traz conseqüências positivas ou negativas para o Brasil.
O que vocês acham?
OBS: Para entender o início desse desarranjo na economia mundial...
[Trechos de uma reportagem da Globo.com - 26/07/2007]
O abalo nas bolsas de valores de todo o mundo tem origem no mercado imobiliário dos EUA: os americanos estão atrasando ou deixando de pagar a hipoteca da casa própria.
O problema é especialmente grave no grupo "subprime", reservado para os clientes que são considerados "propensos à inadimplência" por não terem renda comprovada ou por comprometerem grande parte dela com as prestações. Por isso, esses clientes pagam juros mais altos, que podem chegar a 12% .
Nas últimas décadas, a classe média norte-americana hipotecou em massa seus imóveis. Como funciona: empresas especializadas dão empréstimos e tomam as casas como garantia.
Houve não só um movimento de hipoteca, mas também de refinanciamento dos imóveis. Como os juros estavam baixos nos EUA, muita gente trocou de financiamento, recebendo dinheiro na troca.
O problema, segundo especialistas, é que esse "troco" não foi investido de volta nas residências, mas usado para comprar bens não-duráveis no mercado de consumo ou para saldar dívidas. Ou seja: muita gente refinanciou o imóvel para pagar o cartão de crédito.
Por isso, o aumento da inadimplência - que já gira em torno de 5% nos financiamentos imobiliários dos EUA - deve gerar o fechamento da torneira dos empréstimos no país.
E é justamente aí que mora o perigo: sem casa, poupança ou acesso a crédito, as famílias americanas podem deixar de comprar, afetando a economia local e também a do resto do mundo.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Momento fora do País...

Você soube que 2.5 milhões de pessoas tiveram que se retirar de suas casas em Darfur, Sudão?

Cada dia, essas pessoas enfrentam as ameaças que são tão duras que fica difícil até de imaginar. Essas pessoas vivem em campos de refugiados de péssimas condições, sem falar do medo constante da violência. Já que esta região se encontra em uma séria crise humana, o genocídio. Mas porque isto?

As hostilidades se iniciaram na região árida e pobre em meados de 2003, depois que um grupo rebelde começou a atacar alvos do governo, alegando que a região estava sendo negligenciada pelas autoridades sudanesas em Cartum. Em conseqüência disto, o governo formou uma campanha de repressão na região na tentativa deliberada de expulsar a população negra africana de Darfur. Também há o conflito religioso onde os Janjaweed, milícia árabe de religião muçulmana, tenta destruir os povos não-muçulmanos. Apesar do governo não admitir, essas milícias são patrocinadas pelo governo. Aqueles que conseguiram escapar da violência, agora estão vivendo em campos de refugiados espalhados por Darfur. Esses campos dependem das doações internacionais de medicamentos e alimentos, mas recentemente o presidente da Sudão proibiu a entrada de tropas da paz da ONU no país com a desculpa que o Sudão irá perder sua soberania com tanta intervenção.

Enquanto isto, milhares de sudaneses não podem fazer nada em relação a esta situação já que estão ocupados demais morrendo. Admitindo o genocídio nesta região, significa AGIR! Por isso que a omissão deste problema é tão grande! Quem já ouviu em falar sobre Darfur nos jornais??? Cabe a nós informar a todos as atrocidades que acontece no Sudão e assim exigir uma resolução.

Faça sua parte! Só porque este problema acontece em outro continente, não quer dizer que aqueles pobres coitados não precisem de um pouco de atenção!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Esta semana estava andando pelo centro da cidade quando um rapaz me entregou um papel. Ao ler, vi que dizia respeito ao aumento da passagem de ônibus em nosso estado, estava assinado pela UESPE (União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco); Ares ( Associação Recifense dos Estudantes Secundaristas); Ueso (União dos Estudantes Secundarista de Olinda); DA's de Engenharia Civil da UFPE e História da UFRPE e UJR (União da Juventude Rebelião).
Achei bastante interessante o tal do papel, então resolvi reproduzi-lo aqui para ficar aberto um debate.


"AUMENTO DE PASSAGEM É ROUBO - Governo do estado, Prefeituras e empresários querem aumentar a passagem de ônibus
Apesar dos dois últimos aumentos de passagem de ônibus serem questionados na justiça, o Governo do estado (PSB) junto com as Prefeituras de Olinda (PCdoB), Recife(PT) e demais da região metropolitana, se reúnem hoje com os empresários do transporte no Centro de Convenções para decidir o tamanho da facada no bolso dos trabahadores e estudantes de Pernambuco com um novo aumento nas tarifas de transporte.
O governador Eduardo Campos (PSB) - que durante sua campanha eleitoral anunciou redução das passagens - e as prefeituras que se dizem populares, arquitetaram esse aumento pensando nas gordas doações de campanha dos empresários do transporte para seus candidatos nas eleições 2008.
Dilson Peixoto (PT), presidente da EMTU e candidato que recebeu doações dos donos de empresas de ônibus nas eleições 2006, ao ver se aproximar as eleições municipais diz ser inevitável o aumento e calcula o novo reajuste em 8,04%, o que representa R$0,13 no anel A e R$0,20 no anel B. Ao fim do mês, um trabalhado que pega dois ônibus de segunda a sexta para ir ao serviço ou para procurar emprego vai gastar R$86,50 no anel A e R$132,25 no anel B. Para cada filho que precise ir de ônibus para a escola deverá gastar mais de R$42,75 no anel A e se for no anel B R$66,32! Ao fim do mês, um trabalhador que tem dois filhos deverá gastar R$172,00 somente com passagem de ônibus.
Mas, apesar da generosidade do Governo do estado e da EMTU, os ricaços donos de ônibus ainda querem mais, se depender deles o aumento pode ser ainda maior. Segundo os empresários, o aumento deveria ser de 28,13%, saltando o anel A para R$2,05!
A EMTU e os empresários convocam o conselho de transporte nas férias escolares numa clara tentativa de impedir as mobilizações estudantis como as de 2005. Por isso convocamos a população da Região Metropolitana e os estudantes a não aceitar mais esse abuso dos empresários nem a traição das promessas de campanha do governador do estado. Nenhum centavo de aumento!"
Pelo visto as promessas de campanha continuam não sendo cumpridas...Olhos Abertos ;)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Política de Ano Novo

O começo de um novo ano sempre nos leva a reflexões... Uns fazem análises das experiências vividas, outros fazem as famosas “listinhas de resoluções de ano novo”. Tudo isso vem da nossa grande capacidade de aprender com o passado e sonhar com o futuro. Combinadas, elas nos permitem conhecer mais a nós mesmos, crescer e viver melhor o presente.

Mas além de nossas aspirações pessoais, é preciso olhar ao nosso redor, perceber onde estamos e o que está acontecendo nesse início de ano...

Em nosso estado, apesar das péssimas condições de saúde e educação públicas (combatidas pelo movimento), projetos como a refinaria, o estaleiro de Suape, o Hospital Metropolitano Norte ou Miguel Arraes (novo hospital público prometido para 2008) e as obras na barragem de Pirapama surgem como esperanças de um ano mais acertado do que o que passou.

No âmbito nacional, entramos em 2008 com grande otimismo na economia – cujo índice de crescimento está em torno de 5%. A estabilidade dos preços (baixa inflação), o aumento nas exportações de bens de consumo e de capital (desenvolvimento de importantes segmentos industriais), créditos facilitados e convenientes à situação financeira de cada pessoa (política monetária mais racional), vários acontecimentos dão um novo horizonte ao Brasil.

No entanto, é de comum acordo que ainda há diversas melhoras sociais por fazer. Pouco adiantará para a grande maioria da população viver num país de sucesso econômico, se a renda continuar concentrada, o povo continuar calado e as autoridades não estiverem dispostas a garantir dignidade a todos.

Aproveitando a oportunidade, é bom lembrar que este é ano de eleições municipais. Portanto, aqueles que forem dar atenção às propostas dos candidatos e à análise dos mesmos em cima da hora correm o risco de serem enganados pelo “surto de bondade” que tantas vezes acomete nossos políticos em tal época. Então, vamos começar a nos informar desde já! O voto, como todos sabem, é o instrumento de governo de que o povo dispõe, através dele é que temos voz. Vamos tratá-lo com responsabilidade.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Os professores também são responsáveis

Quando se fala na relação entre problemas educacionais e professores, é comum pensar em tais profissionais como "vítimas" do governo e da sociedade; pessoas cujos baixos salários e preconceitos sofridos causam desmotivação e piora na qualidade do ensino no Brasil.
Porém, os fatos não podem ser tratados de maneira tão simplista. É o que comenta Gustavo Ioschpe, economista especialista em educação, num de seus artigos para a Veja:
"Se há, em alguma região do país ou contexto específico, reclamações dirigidas aos professores que os façam sentir-se desvalorizados, só podemos dizer que é de se esperar. Poucas categorias profissionais no país apresentam resultados tão decepcionantes como a dos trabalhadores do ensino. E em nenhum outro caso esse desempenho é tão importante para o país.
Durante décadas imperou a visão de que os problemas educacionais eram todos exógenos aos profissionais do ensino - causados pelas supostas faltas de interesse e de investimento da sociedade ou por problemas do próprio aluno. Atualmente, com as avaliações às quais o sistema educacional está sujeito, essa visão tornou-se insustentável. É absolutamente transparente que, com os mesmos níveis de recurso e atendendo pais e alunos dos mesmos estratos sociais, escolas diferentes têm resultados muito distintos. Sinal de que a escola, e o que os profissionais fazem dentro dela, importam - e muito - para o desempenho do aluno." (reportagem de 10 de dezembro de 2007)
Portanto, não se pode eximir os professores de "culpa", dizendo que a qualidade do ensino brasileiro é baixa apenas por causa da mencionada falta - bastante relativa - de investimento, interesse do aluno e valorização dos docentes.
Fatos igualmente importantes são o despreparo dos professores (alguns dos quais receberam, eles mesmos, uma educação insuficiente) e a negligência de muitos desses profissionais (especialmente em instituições públicas, incluindo universidades federais). Tais acontecimentos, por mais que estejam ligados a questões econômicas, não são responsabilidade dos "outros".

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Um breve reflexão sobre a educação

Educação engloba ensinar e aprender. É um fenômeno visto em qualquer sociedade, responsável pela sua manutenção e perpetuação a partir da passagem, às gerações que se seguem, dos meios culturais necessários à convivência de um membro na sua sociedade. Nos mais variados espaços de convívio social ela está presente. Nesse sentido, educação coincide com os conceitos de socialização e endoculturação. A prática educativa formal - observada em instituições específicas - se dá de forma intencional e com objetivos determinados, como no caso das escolas.

As escolas nos países subdesenvolvidos, incluindo o Brasil, apresentam uma série de problemas, tais como:

*O baixo salário dos professores
*Despreparo dos professores
*Pressão econômica daqueles pais que necessitam do trabalho das crianças.
*Falta de boas universidades e dificuldades no acesso a estas(principalmente nos países mais populosos e menos desenvolvidos).
*Evasão escolar antes do término do Ensino Fundamental.
*Elevado número de jovens e adultos que não concluiram a escolarização em idade regular.
*A descrença nas lutas político-sociais.
*A formação deficiente de parte dos profissionais da educação.
*O grande número de alunos por sala, além de outros problemas de ordem estrutural, como falta de bibliotecas, e em alguns casos até de energia.


Este conjunto de dificuldades, gera a Síndrome de Burnout, que faz com que os professores acabem desistindo aos poucos, por não verem sentido no seu esforço, despersonalizando a relação com os alunos e realizando seu trabalho apenas pelo valor da troca.

OBS: Síndrome de Burnout -> é um termo psicológico que descreve o estado de exaustão prolongada e diminuição de interesse, especialmente em relação ao trabalho.

Reflita sobre isso...

domingo, 16 de dezembro de 2007

Utensílios escolares disponíveis! Só agora?

"A partir do ano que vem, pela primeira vez na rede estadual de ensino, todos os alunos irão receber fardamento e material escolar. Os estudantes da educação infantil, ensino fundamental, médio e educação de jovens e adultos vão ganhar mochilas, duas camisas, caderno, lápis, borracha e outros utensílios escolares. Além disso, 45 mil bancas escolares novas vão chegar aos colégios." (C4, Diário de Pernambuco, Recife, 15 de dezembro de 2007)

Pode até parecer uma notícia boa, mas é deprimente! Como é que em todos esses anos, com tantos governos, projetos votados e dinheiro que já passou pelos cofres estaduais, não houve antes a iniciativa de fornecer os instrumentos básicos de aprendizagem aos alunos de escolas estaduais?

Se esses recursos só foram disponibilizados agora, o incentivo à aprendizagem, a qualificação de professores e a melhoria na infra-estrutura e segurança das escolas vão ser efetivados quando?

Já houve tempos em que as escolas públicas eram de qualidade e não deixavam a desejar quanto ao ensino e à estruturação. Porém, hoje em dia, a situação é bem diferente. O descaso governamental com a educação, tanto no âmbito municipal e federal, quanto no estadual, como a própria notícia fala, é notório.

Não é à toa que as disparidades entre escolas públicas e particulares são enormes! E mais do que isso, a escolha entre elas pode significar a aprendizagem ou ignorânica da cidadania pelo indivíduo. Além de sua inserção ou exclusão do mercado de trabalho, já que, na era da tecnologia e da modernização, os salários são amplamente condicionados pelo nível de escolaridade.

E quem tem mais chances de passar no vestibular de uma boa universidade? Certamente aquele que, desde pequeno, freqüentou um ambiente escolar decente, digno de tal título, teve professores qualificados e recebeu incentivos educacionais dos pais, da escola e do próprio meio social em que se inseria. Infelizmente, esse aluno tende imensamente a ser apenas da escola particular, hoje em dia.

É lógico que as exceções existem e são surpreendentes, como o caso dos “meninos prodígios” de Quixaba, interior de PE, alunos de escola pública que conseguiram resultados brilhantes na etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Matemática. Porém, se nosso governo (não apenas o atual, como todos os anteriores, visto que a notícia afirma ser a PRIMEIRA VEZ em que os utensílios escolares serão disponibilizados) realmente fosse “do povo”, como se denomina (democracia), vitórias como as desses meninos seriam uma constante. E a desigualdade social no Brasil seria reduzida praticamente a questões culturais, como a valorização de determinadas profissões em detrimento de outras.

Resta-nos esperar e cobrar do governo estadual que, aproveitando esse momento de lucidez e caridade, também efetue as tantas outras mudanças que a escola estadual precisa para qualificar seus alunos como autênticos cidadãos, com chances de entrar bem no mercado de trabalho e participar conscientemente da vida política nacional.

Enquanto isso não acontece, tomara que os meninos de Quixaba contagiem o maior número de colegas possível!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Educação, segundo o IPEA

Nesse primeiro momento, decidimos focar nossas atenções na educação, atualmente reconhecida como uma das bases sobre as quais se assenta o desenvolvimento político, social e econômico das sociedades.
A educação escolar, sendo um dos meios mais importantes do processo educacional, constitui preocupação relevante para os decisores das políticas públicas, sempre confrontados com escolhas complexas sobre investimentos, custos e benefícios. O aumento da escolaridade média da população brasileira, assim como a melhoria da qualidade do ensino ofertado, constituem desafios a ser superados, em grande medida afetados por desigualdades de várias ordens.
Em pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), foram traçados os perfis dos três níveis de ensino da escolaridade básica. Um resumo deles é feito a seguir:
Educação infantil

Existem evidências suficientes de que um dos investimentos educacionais que mais trazem retornos sociais e financeiros é o destinado às crianças de até seis anos de idade. No Brasil, ainda são insuficientes os níveis de atendimento a essa faixa etária. Por outro lado, como a oferta da educação infantil é atribuição constitucional dos municípios, e grande parte deles tem deficiências técnicas e financeiras para assumir esse papel, torna-se imprescindível o apoio efetivo do governo federal, conforme preceitua o regime de colaboração.
Na área de informação e avaliação, a educação infantil constitui uma das que mais apresentam precariedades. Portanto, uma perspectiva recomendável é que a educação infantil se transforme em uma prioridade do governo federal, ocupando lugar privilegiado nas iniciativas de formação de professores, gestores e conselheiros de educação, e com a ampliação de programas de material didático, especialmente livros infantis e brinquedos.

Ensino Fundamental

A quase universalização do acesso à escola nos anos de 1990, à população de 7 a 14 anos, significou um dos principais avanços da sociedade brasileira no campo educacional. Ao progresso alcançado no tocante à oferta de vagas, no entanto, sobrepõem-se novos desafios. Além de ainda haver uma porcentagem residual de crianças e jovens fora da escola, entre os matriculados há aqueles que não aprendem ou que progridem lentamente, repetem o ano e acabam abandonando os estudos. Os fatores que contribuem para essas dificuldades estão relacionados à qualidade do ensino, gestão das escolas e sistemas de ensino, às condições de acesso e permanência e, ainda, às desigualdades sociais.

A inclusão das crianças de seis anos no ensino fundamental, que passou a ter a duração de nove anos, constitui outro avanço. É um desafio, entretanto, o apoio do âmbito federal no estabelecimento de diretrizes para esse novo formato do ensino compulsório e na implementação das mesmas em municípios que apresentam maiores carências técnico-pedagógicas.

Ensino Médio

As desigualdades de acesso e freqüência a esse nível de ensino, no Brasil, também se mostram bastante elevadas. Porém, as diferenças entre estudantes rurais e urbanos e de regiões distintas reduziram sensivelmente nos últimos dez anos. A questão que se coloca é se será possível manter essa tendência de aproximação, sem que ocorram melhorias significativas das condições socioeconômicas dos estudantes pertencentes aos segmentos em desvantagem.
Quanto ao substancial crescimento das matrículas, verificado ao longo da segunda metade dos anos de 1990, este não foi seguido de melhorias educaionais para o conjunto de estudantes de escolas públicas, ao contrário do que aconteceu com as ecolas privadas, segundo o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Uma possível explicação para esse fenômeno pode ser a de que a expansão ocorrida nesse período tenha incorporado estudantes, antes alijados, em condições socioeconômicas menos favoráveis e, portanto, com reduzidas oportunidades de acesso a um ensino de melhor qualidade, uma vez que a eles restaria, via de regra, trabalhar durante o dia e estudar no período noturno. A melhoria da qualidade do ensino médio noturno, desse modo, representa o maior desafio para o governo nessa área.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

De volta!

Então, pessoal, voltamos à ativa!

Neste blog vamos estar sempre trazendo: as novidades da política nacional; textos de diversas fontes e posicionamentos políticos; dados apresentados pelo governo e por órgãos de pesquisa; projetos desenvolvidos pela ALEPE (Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco), alvo do nosso manifesto em novembro; além de textos de nossa própria autoria.

Com isso, queremos propor discussões sobre os temas expostos, de modo a aumentar nossa gama de conhecimentos, através da troca de experiências, e formar opiniões, aguçando nosso olhar crítico sobre os rumos que o país está tomando e os políticos neles envolvidos.que também visa de modo muito especial as eleições do ano que vem.

Assim, o movimento não parou e nem vai parar, continuaremos a lutar por um país melhor, dessa vez fazendo o chamado "protesto pacífico". Isso não significa que não poderemos "ir a campo" de novo, muito pelo contrário, se sentirmos que nossos anseios estão sendo desprezados ou preteridos, não hesitaremos em fazer a manifestação de novo.

É bom lembrar também que tanto o blog como a comunidade são meios diretos de comunicação entre os participantes do movimento, então sintam-se livres para expor suas idéias, críticas e sugestões, é por meio delas que essa comunicação será proveitosa.

"Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente. A gente muda o mundo na mudança da mente. E quando a mente muda a gente anda pra frente!"
OBS: Dica para irmos nos informando: assistir ao programa "Quorum" (TV Universitária - canal 11), que fala sobre as ações da ALEPE, e aos noticiários, o mais freqüentemente possível. Além disso, procurar estar sempre em contato com jornais e revistas de atualidades.