quarta-feira, 9 de abril de 2008

Leitura Cidadã

[Com um pedido de desculpas enorme pelo tempo que ficamos sem postar, aí vai mais um texto interessante.]

"A leitura é essencial para a construção de uma sociedade mais igualitária, na qual as diferenças sejam respeitadas. Para se ter idéia, às vésperas da Revolução Francesa de 1789, a produção literária cumpria papel fundamental. As páginas dos livros constituíam-se em verdadeiros campos de batalha, com inúmeras propostas para transformar uma sociedade marcada por desigualdades e privilégios. [...] Ler, assim, é muito mais do que diversão, é a possibilidade de construir um mundo melhor.
O Brasil, no entanto, ainda não pode ser chamado de um país de leitores: muitas de nossas cidades nem sequer possuem biblioteca ou livraria. Apesar disso, em todos os segmentos da sociedade, existe uma intensa e criativa produção literária. É o caso da literatura de cordel, que faz sucesso sobretudo no Nordeste e em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro."


(“Por dentro da História” - Pedro Santiago, vol. Único, editora educacional, pg.396)


Em meio a uma sociedade que exige cada vez mais informação e posicionamento crítico em relação aos acontecimentos, a leitura de livros, revistas e jornais torna-se indispensável. No entanto, o alto custo dos impressos, no Brasil, acaba criando uma elite intelectual, excluindo grande parcela da população de uma cidadania efetiva.

Sobre esse assunto, algumas sugestões de debates são:

* Como resolver essa questão?
* Será que a simples baixa de preços popularizaria a leitura?
* De que forma a “criativa produção literária” brasileira pode ser mais valorizada?

* Como vocês vêem a leitura no cotidiano?



7 comentários:

Carlos disse...

Culpar o preço do livro seria uma desculpa muito simplista, somos o sétimo produtor de celulose e o décimo segundo de papel(dados do BNDES). Pelas regras de mercado, se o brasileiro comprasse livros com frequência os preços abaixariam com o tempo por simples osmose(leia-se oferta e procura.

E não há de forma alguma falta de articulação das editoras, basta ir pra a banca do Carrefour pra você ver uma estante de pocket books, cortesia de empresas como L&PM Pocket e Martin Clairet que tem a premissa de vender livros baratos e acessíveis à população.Apenas folheando as últimas páginas do meu livro de Bukowski(pela L&PM) na estante, acha-se no catálogo 485 livros disponíveis à venda. Procurando no site acha-se no catálogo on-line 670 títulos de autores e temas variados.De literatura clássica à filosofia alemã é só procurar.

*Caso interesse:
http://www.lpm-editores.com.br/v3/site/default.asp?TroncoID=805133&SecaoID=836333

O que falta no Brasil é interesse das mais variadas camadas, inclusive da elite (antes que me apedrejem), pela leitura. O livro era e ainda devia ser encarado como elemento transformador através da reflexão e ampliação do conhecimento, o livro é um instrumento de poder e o exemplo citado por Camila é a síntese disso. Os revolucionários queriam o poder, então liam Voltaire, Rosseau, Montesquieu. Napoleão mesmo militar era um homem de muita cultura, inclusive há uma versão dO Príncipe de Maquiavel comentada pelo próprio.

Resumindo, os meios de acesso ao conhecimento estão aí, os livros estão por menos de 10 reais, podem ser encomendados pela internet e até por telefone, amenizando um possível isolamento geográfico de qualquer interessado pela leitura.

Vale a pena citar Voltaire, que ao ser acusado de seus livros incitarem o povo: "Os livros incitarem o povo? O povo não lê, trabalha seis dias na semana e no domingo vai ao prostíbulo"
Espero que tenha me feito entender.

Gabriel disse...

Nos séculos XVII a XIX, citados como grandes fontes literárias, que retratam a realidade social da época e os detalhes cotidianos, das obras literárias escritas nos campos de batalha, a educação era talvez muito mais privada que a atual. Hoje, temos uma parcela muito maior da população na escola. O problema é, além da qualidade da educação, o tipo de cultura que a sociedade propaga. Simplesmente não é interesse da maior parte da população refletir sobre os problemas: eles têm coias 'mais importantes' pra fazer. Coisas que entretenham, não reflexões chatas que tomem o tempo e que teoricamente não levariam eles a lugar algum.

- Abaixar os preços dos livros? Não, não adiantaria. Mais gente teria acesso à leitura, mas, de que tipo de leitura estamos falando? Contos infantis, histórias surreais de fantasia. Essa é a literatura acessível ao nível CULTURAL da população mais carente. Literatura informativa, reflexiva, científica traz um patamar de lingüagem e informatividade que depende de uma base a qual não é fornecida pela pobre escolarização brasileira.

- Criativa produção literária. De que tipo de texto estamos falando? Não é todo dia que surgem escritores que mesmo de origem pobre e baixas condições conseguem se superar na sua genialidade e escrever grandes textos. Algumas pessoas, mesmo na sua simplicidade, mostram a grande inteligência que tem, e mesmo com o seu conhecimento adquirido sem termos científicos, apenas por experiências de vida, podem criar grandes textos, mesmo que não tenham sido induzidos a isso através da leitura. Não se pode valorizar a arte de ler e escrever se a sociedade não tem, em grande parte, acesso à mesma. Os que têm, tratam como banal: Aprenderam a ler e escrever como processo simples da sua vida, desde cedo foram levados pelos pais à escola e então tudo se tornou conseqüência. Essa capacidade de ler e escrever, entretanto, hoje muitos usam pra escrever o 'miguxês' na internet, ou pra ler besteiras no orkut. Belo uso da leitura.

Scooby disse...

O desábito a ler é, ao meu ver, um tendência mundial. Vivemos numa sociedade em que é cada vez mais valorizada a tv, o vídeo, o computador; em sumo, a dinamização e a velocidade de informação. O livro já é coisa arcaica; de conhecimentos úteis, ninguém discorda, mas infelizmente substituída por minutos na internet. Essa é uma questão, como diria Marx, infra-estrutural, e não conjuntural. Temos de ter uma postura que implique radialmente na nossa cultura; mas será que estaríamos dispostos a abrir mão da comodidade e consertar nossa luminária para voltar ao saudável hábito da leitura?

Sinceramente, não sei como inverter essa tendência. Talvez o livro seja, futuramente, mais um artifício obsoleto.

Alguém tem alguma idéia para incentivar de modo eficaz a leitura?

Camila L. L. disse...

Pra falar a verdade, eu acho que o problema da falta de leitura é conjuntural, sim. Até porque, na época em que nem televisão se tinha, ler era um hábito super-comum das "elites" (população letrada). É só ler livros de Machado, Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar etc. e ver como eles relatam o costume.

Realmente há tendência (ainda distante, eu acho) do livro virar obsoleto. Mas, enquanto não, podem-se fazer várias coisas para incentivar a leitura:

* Valorizar o livro nos demais meios de comunicação;
* Distribuir prêmios ou realizar concursos relacionados à leitura ou autoria de livros;
* Criar designs gráficos interessantes para as publicações (livros de Meg Cabot, Luiz Fernando Veríssimo, etc.).

E muitas outras ações que disseminem a literatura jovem, atual, com conteúdo, mas sem chatices.
Paralelo a isso, é claro, não se pode esquecer de investir na alfabetização de todos.


ALGUÉM TEM SUGESTÕES DE BONS LIVROS? Chegando as férias agora, eu considero que valem à pena...:

"O mundo de Sofia"
"Olga"
"O homem que calculava"
"Jesus, o maior psic[ologo que já existiu"

Scooby disse...

É verdade, Camila, o hábito de ler, em si, é conjuntural, mas para que voltemos a ler como antes, acredito que devamos analisar o problema infra-estruturalmente. Mas esse não é o ponto em questão, né verdade ;)

Alguns bons livros que recomendo:

"Do golpe ao planalto" - Ricardo Kotscho. Esse livro fala sobre a trajetória desse extraordinário jornalista, que foi acessor de imprensa durante dois anos do primeiro mandato de Lula. Conta, também, casos que ele cobriu, como era na época da ditadura - ele começou nesse ramo exatamente em 1964 -, como conheceu e como se tornou melhor amigo de Luiz Inácio Lula da Silva. Vale muitíssimo a pena.

"Che Guevara: a vida em vermelho" - Jorge Castañeda. Conta a vida de Ernesto Guevara. Mostra como conheceu Fidel, como enfrentou as ditaduras latino-americanas, o que pensava a respeito. É interessante notar a visão política de Che nesse livro. É de uma sensibilidade incrível, fruto de sua infância sem preconceitos ou barreiras sociais. Recomendo.

E agora tou lendo "Arraes", de Tereza alguma-coisa, o sobrenome dela é muito complicado. Boas férias aí, gente.

Thullio disse...

depos comento .. vou indicar alguns livros:
A ética protestante e o espírito do capitalismo - Max Weber (o livro do seculo 20 )

AURORA - F. Nietzsche ( Reflexões sobre os preconceitos morais )

Fundamentação da Metafísica do CostumeS - Immanuel Kant ( sobre o pensamento filosofico crstão do seculo 19 )

Mal-estar na civilização - S. Freud

Parerga e Paraliponema- A Schopenhauer

Escuta, Ze niguem - Wilhelm Reich ( desabafo do psiquiatra )

Thullio disse...

essa musica resume o meu comentario:
This time the bullet cold rocked ya
A yellow ribbon instead of a swastika
Nothin' proper about ya propaganda
Fools follow rules when the set commands ya
Said it was blue
When ya blood was read
That's how ya got a bullet blasted through ya head

Blasted through ya head

I give a shout out to the living dead
Who stood and watched as the feds cold centralised
So serene on the screen
You was mesmerised
Cellular phones soundin' a death tone
Corporations cold
Turn ya to stone before ya realise

They load the clip in omnicolour
Said they pack the 9, they fire it at prime time
The sleeping gas, every home was like Alcatraz
And mutha fuckas lost their minds

Just victims of the in-house drive-by
They say jump, you say how high

They say jump, you say how high

They load the clip in omnicolour
Said they pack the 9, they fire it at prime time
The sleeping gas, every home was like Alcatraz
And mutha fuckas lost their minds

No escape from the mass mind rape
Play it again jack and then rewind the tape
And then play it again and again and again
Until ya mind is locked in
Believin' all the lies that they're tellin' ya
Buyin' all the products that they're sellin' ya
They say jump and ya say how high
Ya brain-dead
Ya gotta fuckin' bullet in ya head

Just victims of the in-house drive-by
They say jump, you say how high
Yeah
Just victims of the in-house drive-by
They say jump, you say how high

Ya standin' in line
Believin' the lies
Ya bowin' down to the flag
Ya gotta bullet in ya head

A bullet in ya head
A bullet in ya head

Ya gotta bullet in ya fuckin' head!